Caixa de texto:

Este disco/concerto apresenta canções possíveis e impossíveis de Kurt Weill e Boris Vian. Canções possíveis porque fizeram parte (relativamente) do mainstream musical do séc. XX e ambos os autores aproveitaram esse facto para se divertirem, divertindo....parodiavam o meio musical e cultural pós-guerra tanto europeu como norte-americano. Canções impossíveis porque muitas delas não eram socialmente nem políticamente correctas. È o caso de Le Deserteur ou de Je bois, de Vian, de Bilbao Song ou de Complainte de La Seine, de Weill, presentes neste disco. Vian adaptou muitas canções de Weill para a língua francesa e, inversamente, adaptou o francês às suas próprias canções....como a Blouse du Dentiste que era, afinal, Le Blues du dentiste.

A glossomania típica de Vian encontra também eco em Weill que usa a cultura e a linguagem populares para enaltecer algumas figuras do "underground" citadino como, por exemplo, as prostitutas (J'attends un Navire), ou os marinheiros (Surabaya,Johnny), também incluídos neste disco. O escritor e trompetista Boris Vian é um ser complexo, artista múltiplo e suficientemente ecléctico para perceber a existência de uma estranha e fina harmonia entre todas as coisas. O mesmo sucede com Weill, cuja passagem por Paris e USA o levou a desenvolver um idioma modernista pós-iluminado, ou seja, uma linguagem característica do 'fazedor' (a la Duchamp). Com a mente aberta aos variados estímulos criativos, independentemente de géneros e formas mas, simultaneamente, um atento conhecedor dos mesmos. Encorajando, desta forma, uma ética e uma praxis de vida empenhadas e não gratuitas.  

MACHINE LYRIQUE ׀ kurt weill  boris vian……………………………………………………………….

Boris Vian, Baron Visi e Vernon Sullivan são três nomes para o mesmo homem, um homem multi-facetado  e cuja vida correu em linhas tão imprevisíveis (para não dizer desorganizadas) que em várias alturas trabalhou como engenheiro, tradutor, trompetista de jazz, cantor, romancista e colunista.  Tal desorganização andou de par em par com uma antipatia anárquica por tudo aquilo que fosse organizado, quer na sua vida pessoal, quer em termos de instituições públicas.


Embora mais conhecido pelo brilhante romance L’Ecume des jours, a produção de Vian contemplou ainda thrillers escritos sob o pseudónimo de Vernon Sulivan, peças de teatro, contos e canções inesquecíveis. Estas últimas, testemunham não só o seu gosto e culto intenso por um mundo imaginário, surreal e absurdo, mas também o uso original e virtuoso da linguagem que o representa. Aparece no presente registo como compositor, letrista e tradutor.

 

Como Vian, Kurt Weill (1900-1950) é um artista sem medo de cruzar fronteiras, se bem que nunca as tenha abolido de modo tão radical, sobretudo ao nível da linguagem, como o escritor e músico francês. Com a ópera O Protagonista, estreada em 1926, estabeleceu-se como compositor mas era já notória a sua intenção de trabalhar no teatro musical (e, de facto, foi esse o ano em que casou com a cantora-actriz Lotte Lenya). A colaboração com Bertolt Brecht permitiu levar este objectivo a um resultado esplêndido e, após fugir da Alemanha Nazi em 1933, continuou a trabalhar em Paris, e mais tarde nos EUA, onde ficou até à sua morte.


Enquanto obras de cariz impecavelmente “clássico”como o “Concerto para Violino” de 1925 testemunham a formação primeira de Weill como compositor é, todavia, através das obras de colaboração com Brecht – tais como A Ópera dos Três Vinténs (1928), A Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny (1930) e Os Sete Pecados Mortais (1933) – que continua a ser mais conhecido. Outros escritores com os quais colaborou incluem Caspar Neher (A Promessa, 1932), Moss Hart e Ira Gershwin (Senhora na Escuridão, 1941), e Elmer Rice and Langston Hughes (Cena da Rua, 1947).


Boris Vian, Baron Visi and Vernon Sullivan were three names for one man, a man so multi-faceted, and whose life ran along such unpredictable (not to say disorganized) lines that at various times he worked as engineer, translator, jazz trumpeter, singer, novelist and columnist.  Such disorganization went hand-in-hand with his anarchic dislike of anything organized, whether in his personal life or in terms of public institutions.

 

Though best-known for his brilliant surreal novel L’Ecume des jours, Vian’s output also included thrillers written under the name of Vernon Sullivan, plays, short stories and memorable songs.  These latter attest not only to Vian’s intense delight in his imaginary, surreal and absurdist world, but to his original and virtuosic use of language.  He appears on the present recording as composer, lyricist and translator.

 

 

Like Vian, Kurt Weill (1900-1950) was an artist unafraid to cross boundaries, though he never abolished them in quite the way the Frenchman did.  He established himself as a composer with his opera The Protagonist, first performed in 1926, but his intention then was already to work in musical theatre (and, indeed, it was in this year that he married the singer-actress Lotte Lenya).  His collaboration with Bertolt Brecht brought this aim to splendid fruition, and after fleeing from Nazi Germany in 1933, he continued in Paris and subsequently the USA, where he remained until he died.

 

While works of impeccably “classical” credentials such as the Violin Concerto of 1925 bear witness to Weill’s early training, it is the music from the time of his work with Brecht – such as The Threepenny Opera (1928), Rise and Fall of the City of Mahagonny (1930) and The Seven Deadly Sins (1933) – for which he continues to be best-known.  Other writers with whom he collaborated included Caspar Neher (The Pledge, 1932), Moss Hart and Ira Gershwin (Lady in the Dark, 1941), and Elmer Rice and Langston Hughes (Street Scene, 1947).

 

 

Boris Vian, Baron Visi et Vernon Sullivan étaient trois noms pour un seul homme, un homme que présentait des aspects aussi nombreux, et dont la vie emprunta des chemins imprévisibles au point que, simultanément, il travailla comme ingénieur, traducteur, trompettiste de jazz, chansonnier, romancier et journaliste. Une telle désorganisation alla main dans la main avec son dégoût anarchique pour toute organisation, en privé comme en public.

 

Bien qu’il soit mieux connu pour son brillant roman L’Ecume des jours, l’œuvre de Vian inclut aussi des thrillers écrits sous le nom de Vernon Sullivan, des pièces de théâtre, des contes et des chansons mémorables. Ces dernières témoignent non seulement de son goût intense pour un monde imaginaire, surréaliste et absurde, mais aussi de son utilisation originale et virtuose de la langue. Il est à la fois le compositeur, le parolier et le traducteur de cet enregistrement.

 

Comme Vian, Kurt Weill (1900-1950) était un artiste sans peur de franchir les frontières, bien qu’il ne les ait jamais abolies à la manière du français.  Il s’établit comme compositeur avec son opéra Le Protagoniste, dont la première eut lieu en 1926, mais son intention était déjà de travailler dans le théâtre musical (en effet, c’était cette même année qu’il épousa la chanteuse-actrice Lotte Lenya). Sa collaboration avec Brecht mena cet objectif à un résultat splendide. Après avoir fuit l’Allemagne nazie en 1933, il continua son œuvre à Paris et, plus tard, aux Etats-Unis, où il resta jusqu’à sa mort.

 

Si des oeuvres de caractère impeccablement « classique » comme le Concert pour Violon de 1925 témoignent de la première formation de Weill, c’est pour la musique datant de ses projets avec Brecht – comme L’Opéra de Quatre Sous (1928), L’Ascension et la Chute de la Cité de Mahagonny (1930) et Les Sept Pêchés Mortels (1933) – qu’il continue à être mieux connu. Il collabora entre autres avec les écrivains Caspar Neher (La Promesse, 1932), Moss Hart et Ira Gershwin (Dame dans les Ténèbres, 1941), et Elmer Rice et Langston Hughes (Scène de la Rue, 1947).


Ficha Técnica…………………………………....

Gravação: Estúdios Tcha Tcha Tcha

Técnicos de som: Luís Delgado e Joel Conde

Mastering: Maas Volp e Joel Conde

Capa: João Nuno Represas

Tratamento de imagem: Anabela Duarte

Fotos: Maas Volp

Produção: Anabela Duarte

 

Agradecimentos especiais a Ana Escada e Ramon Galarza dos estúdios Tcha Tcha Tcha, a Luís Delgado, Diogo Tavares e Joel Conde que têm assistido como técnicos e conselheiros áudio a todas as minhas gravações, a Ana Raquel Pereira, pela extrema paciência e rigor com que tratou uma das primeiras versões da capa do disco, a Benedita Feijó, pelo artwork inicial, a Cláudia Bandeira pela ajuda superior e sempre eficaz, a Ian Mikirtoumov pelo acompanhamento ao longo desta árida jornada. Boa. Aí vão mais cinco!

triple digipak

Ver bio Ian Mikirtoumov;

EM DIGRESSÃO: 3 músicos, 1 road manager

DISPONIBILIDADE: contacte-nos